Paula Rego em Basileia: um corpo novo para a mulher
A primeira exposição da pintora portuguesa na Suíça reúne dezenas de obras para apresentar ao público do Kunstmuseum uma artista que, diz a curadora, fala aos nossos instintos, não à nossa cabeça.
Na fotografia que abre a exposição, de Chris Steele-Perkins, Paula Rego aparece no seu estúdio em Camden Town, Londres. Olha na direcção contrária à do espelho que tem ao seu lado e veste uma blusa amarela — sabe quem conhece a fotografia e a dita blusa —, mas o visitante não se apercebe porque a reprodução de grande formato está a preto e branco e cortada ao meio. A pintora portuguesa já passava dos 80 quando o fotógrafo da agência Magnum lhe pediu que ali ficasse e ela aceitou, provavelmente a contragosto. Não gostava que a fotografassem e gostava ainda menos de se ver ao espelho, de auto-retratos. Costumava dizer que a cara que tinha não lhe interessava, a não ser que tivesse alguma coisa para dizer. Foi por isso, aliás, que quando caiu em casa de uma das filhas, Caroline, na ilha de Wight, Inglaterra, no Natal de 2016, e ficou com o rosto todo marcado, se representou várias vezes.
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